#10(sessão final: Última parte)
(...)
"A nave já não estava mais onde deveria estar.
Não haviam mais nem os rastros, parecia ter evaporado.
Olhou em volta, para as crianças sujas no chão,
para os anciões bizarros com seus olhos banhados de sangue,
a matilha de jovens que o arrodiava...
Olhou para o céu, para a capa cinza com pó de ferro que cobria
as estrelas, que cobria as núvens de verdade...
Tombou.
Sentiu a visão embaçar e antes que a perdesse totalmente,
viu pés se aproximarem: pés sujos, sapatos desbotados,
chinelas e bengalas se arrastando...
Parecia que o Astronauta era uma atração de circo.
Um elefante de tromba azul e calda cor de rosa, um extraterrestre.
Extraterrestre. Na verdade era isso o que ele era,
por mais que tentasse ser como os malditos seres humanos,
por mais que tentasse se deixar corromper,
Aquela não era a sua gente, aquele não era o seu lugar.
No meio dos pés e dos olhares furtivos,
surgiu um par de pés curiosos, com passos leves, quase flutuantes.
O Astronauta não podia ver mais imagens.
Só podia ver borrões, e um deles era o par de pés dela.
Eram os pés de sua querida, de sua amada.
Ou era nisso que ele queria acreditar.
Vinham acompanhados do que lhe pareceu ser uma criança.
Era ele o fruto do amor do casal incomum, do casal interplanetário.
Ouviu então, uma voz serena ao seu ouvido,
antes que tudo se apagasse de vez:
-Amor? É chegada a hora de acordar,
O dia já está nos esperando do lado de fora.
Abre teus olhos, não liga para os olhares.
Essa gente do lado de lá, não sabe de nada
que se passa por aqui por dentro.
De nada que se passa por dentro de casa,
Muito menos por dentro do nosso coração.
-Rosie..."
- Levanta, amor! - Disse Jéssica ao Astronauta sonolento.
- Já estou indo, querida... - Respondeu Ramon abrindo os olhos devagar.
Levantou, olhou em volta.
A vida continuaria a mesma, tudo não passara de um sonho.

(...)
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"A nave já não estava mais onde deveria estar.
Não haviam mais nem os rastros, parecia ter evaporado.
Olhou em volta, para as crianças sujas no chão,
para os anciões bizarros com seus olhos banhados de sangue,
a matilha de jovens que o arrodiava...
Olhou para o céu, para a capa cinza com pó de ferro que cobria
as estrelas, que cobria as núvens de verdade...
Tombou.
Sentiu a visão embaçar e antes que a perdesse totalmente,
viu pés se aproximarem: pés sujos, sapatos desbotados,
chinelas e bengalas se arrastando...
Parecia que o Astronauta era uma atração de circo.
Um elefante de tromba azul e calda cor de rosa, um extraterrestre.
Extraterrestre. Na verdade era isso o que ele era,
por mais que tentasse ser como os malditos seres humanos,
por mais que tentasse se deixar corromper,
Aquela não era a sua gente, aquele não era o seu lugar.
No meio dos pés e dos olhares furtivos,
surgiu um par de pés curiosos, com passos leves, quase flutuantes.
O Astronauta não podia ver mais imagens.
Só podia ver borrões, e um deles era o par de pés dela.
Eram os pés de sua querida, de sua amada.
Ou era nisso que ele queria acreditar.
Vinham acompanhados do que lhe pareceu ser uma criança.
Era ele o fruto do amor do casal incomum, do casal interplanetário.
Ouviu então, uma voz serena ao seu ouvido,
antes que tudo se apagasse de vez:
-Amor? É chegada a hora de acordar,
O dia já está nos esperando do lado de fora.
Abre teus olhos, não liga para os olhares.
Essa gente do lado de lá, não sabe de nada
que se passa por aqui por dentro.
De nada que se passa por dentro de casa,
Muito menos por dentro do nosso coração.
-Rosie..."
- Levanta, amor! - Disse Jéssica ao Astronauta sonolento.
- Já estou indo, querida... - Respondeu Ramon abrindo os olhos devagar.
Levantou, olhou em volta.
A vida continuaria a mesma, tudo não passara de um sonho.

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