terça-feira, 20 de outubro de 2009

#9 (sessão final: parte 2)

(...)

"Ajoelhou-se. Pediu ajuda a alguma entidade
desconhecida até para ele mesmo e pôs-se a chorar.
Seu corpo parecia não obedecer comando algum.
Seus olhos vibravam junto à seus lábios,
que de tanto pranto, estavam escarlates.

Era como se Nada fizesse mais sentido.

O Astronauta não sabia distinguir se aquilo era
fúria ou frustração. Não sabia onde estava a sua amada,
não sabia com quem estaria a sua amada.
Não sabia nem se ela ainda o amava, se ela já o amara...

Uma tempestade de pensamentos mórbidos e doentios
percorreu a cabeça do Astronauta, fazendo gritar de dor,
gritar loucamente frases desconexas,
tentando externalizar toda a sua tristeza.

Pessoas com expressões medonhas encaravam-no
e ele nem sabia o porquê. Aproximavam e afastavam-se
em um tipo de ciclo esquisito, era como se tivessem medo
de chegar perto demais.

Levantou, correu sem direção.
Tantas foram as esquinas dobradas;
Tantas foram as ruas cruzadas;
Tantas foram as pessoas desalmadas;
E tantos foram os planetas..."

(...)


Fez-se então o desespero, Fez-se então o anoitecer.

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