terça-feira, 20 de outubro de 2009

#10(sessão final: Última parte)

(...)

"A nave já não estava mais onde deveria estar.
Não haviam mais nem os rastros, parecia ter evaporado.
Olhou em volta, para as crianças sujas no chão,
para os anciões bizarros com seus olhos banhados de sangue,
a matilha de jovens que o arrodiava...

Olhou para o céu, para a capa cinza com pó de ferro que cobria
as estrelas, que cobria as núvens de verdade...

Tombou.
Sentiu a visão embaçar e antes que a perdesse totalmente,
viu pés se aproximarem: pés sujos, sapatos desbotados,
chinelas e bengalas se arrastando...
Parecia que o Astronauta era uma atração de circo.
Um elefante de tromba azul e calda cor de rosa, um extraterrestre.
Extraterrestre. Na verdade era isso o que ele era,
por mais que tentasse ser como os malditos seres humanos,
por mais que tentasse se deixar corromper,
Aquela não era a sua gente, aquele não era o seu lugar.

No meio dos pés e dos olhares furtivos,
surgiu um par de pés curiosos, com passos leves, quase flutuantes.
O Astronauta não podia ver mais imagens.
Só podia ver borrões, e um deles era o par de pés dela.
Eram os pés de sua querida, de sua amada.
Ou era nisso que ele queria acreditar.
Vinham acompanhados do que lhe pareceu ser uma criança.
Era ele o fruto do amor do casal incomum, do casal interplanetário.

Ouviu então, uma voz serena ao seu ouvido,
antes que tudo se apagasse de vez:

-Amor? É chegada a hora de acordar,
O dia já está nos esperando do lado de fora.
Abre teus olhos, não liga para os olhares.
Essa gente do lado de lá, não sabe de nada
que se passa por aqui por dentro.
De nada que se passa por dentro de casa,
Muito menos por dentro do nosso coração.
-Rosie..."

- Levanta, amor! - Disse Jéssica ao Astronauta sonolento.
- Já estou indo, querida... - Respondeu Ramon abrindo os olhos devagar.


Levantou, olhou em volta.
A vida continuaria a mesma, tudo não passara de um sonho.


(...)
#9 (sessão final: parte 2)

(...)

"Ajoelhou-se. Pediu ajuda a alguma entidade
desconhecida até para ele mesmo e pôs-se a chorar.
Seu corpo parecia não obedecer comando algum.
Seus olhos vibravam junto à seus lábios,
que de tanto pranto, estavam escarlates.

Era como se Nada fizesse mais sentido.

O Astronauta não sabia distinguir se aquilo era
fúria ou frustração. Não sabia onde estava a sua amada,
não sabia com quem estaria a sua amada.
Não sabia nem se ela ainda o amava, se ela já o amara...

Uma tempestade de pensamentos mórbidos e doentios
percorreu a cabeça do Astronauta, fazendo gritar de dor,
gritar loucamente frases desconexas,
tentando externalizar toda a sua tristeza.

Pessoas com expressões medonhas encaravam-no
e ele nem sabia o porquê. Aproximavam e afastavam-se
em um tipo de ciclo esquisito, era como se tivessem medo
de chegar perto demais.

Levantou, correu sem direção.
Tantas foram as esquinas dobradas;
Tantas foram as ruas cruzadas;
Tantas foram as pessoas desalmadas;
E tantos foram os planetas..."

(...)


Fez-se então o desespero, Fez-se então o anoitecer.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

#8 (sessão final)

(...)

"Ao saltar da sua já não tão amiga astronave,
Deparou-se com um mar cinza de prédios e olhos tristes.
Pessoas debatiam-se no chão, batiam-se umas nas outras,
Gritavam coisas em seu dialéto arcaico que feriam-no
mesmo sem saber o que elas significavam.

Era tudo muito baixo, era como se o ar fosse pesado e quente,
de tanta perversão, violência e falta de caráter.
O clima terreno era bem pior do que ele se lembrava.
Era como se nesse pouco tempo, tudo tivesse mudado para pior.

Bem pior.

Partiu à pé em direção do lugar onde Rosie morava.
Era uma daquelas casas com cercas, gramado bonito...
Um ar de vida, naquele verdadeiro tufão de atrocidades.

Ao se aproximar da vizinhança,
percebeu que algumas coisas haviam mudado:
Não havia mais pássaros,
Não havia mais sorrisos,
Não havia mais Rosie,
Não havia mais volta."

(...)


Fez-se no Coração do Astronauta,
a maior decepção que já sentiu na vida.
Onde estaria a sua amada Rosie? Teria ele, pecado em voltar atrás?
Talvez as respostas se revelem bem antes da próxima quarta-feira ...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

#7

(...)

"E então Astronauta viajou.
Foi por não se sabe onde para procurar não se sabe quem.
Digo mais, para procurar não se sabe o quê.

Não sabia se ela ainda o esperava,
Apenas esperava que isso acontecesse pois, afinal de contas,
Estava arriscando tudo e ele mesmo por esse amor.

Enfrentou estrelas bárbaras,
que não são tão bárbaras assim quando se está de perto;
Enfrentou bruxas e nebulosas,
buracos negros e luzes no infinito já não tão distante...

Avistou então, um grande satélite prateado.
De longe, parecia derreter os olhos do Astronauta,
com o seu brilho e calor incomuns.

Mas mesmo assim, não o amedrontava,
Pois a escada para o paraíso, estava na sua frente."

(...)



E mostraram-se então abertas, as portas da percepção.
Abertas e próximas das escadarias sem fim que levam ao paraíso.

Pelo menos, até a próxima quarta-feira,
que prometeu não demorar tanto.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

#6 (1: Dream)

(...)

" - Eu estava perdido, chuvas de meteoro,
satélites já não tão naturais...
Já não sabia diferenciar lembranças
das coisas mais reais.

Buracos negros, planetas estranhos, esquisitos...
Foi então que ela resolveu surgir no meu caminho,
E realmente mecheu com a minha cabeça,
com os meus sentimentos, com a minha pulsação.

Ela abriu nebulosas no meu peito,
Marcou-se como antares no meu coração...
Desandou com a minha vida,
Desatou a minha constelação.

Fez-se Soneto, desde o eclipse ao mais brilhoso luar
E agora minha vida é Rosie, e logo vou voltar
Ao planeta terra, e levá-la à outro lugar

Para que possamos Concretizar o amor em essência,
O amor em vício, virtude, paixão,
Pensamento, tremor, ardor e amar.

Houston, Câmbio e desligo. "

(...)



E revelou-se o sonho, a realização,
revelou-se o infinito amor.
E ele irá se concretizar. Talvez, na próxima quarta-feira .

#6 (0: The calling)

(...)

"- ...Houston, Houston...
Just wait a second.
Tomorrow I'll tell you my f*ckin' nightmare."

(...)

Apenas esperem um pouco mais.
mas não se preocupem, não será até a próxima quarta-feira .

domingo, 16 de agosto de 2009

#5

(...)

"E é chegada a hora do retorno.
E o retorno é a única saída, quando não se tem para onde ir.
Na verdade, o Astronauta já tinha hora marcada,

Tanque cheio, Saco cheio..
era a hora de retomar o caminho de volta, de volta para ela, de volta para o futuro.
O verdadeiro futuro, o futuro que ele esperou.

O caminho era longo, era complicado, cheio de obstáculos.
O maior obstáculo de verdade, era a ausência de coragem.
Coragem para seguir em frente, seguir em frente para voltar atrás.

Ela valia mais do que qualquer tempo perdido,
Ela valia mais do que qualquer sangue que fosse derramado nesse meio tempo,
Ela valia mais do que o próprio Astronauta. Pelo menos, para ele.

Com certeza ela estaria esperando por ele.
Pelo menos, era o que ele pensava."

(...)


É chegado o momento do quase-reencontro.
Desculpe-me por ter me atrasado, mas não acontecerá de novo após a próxima quarta-feira .